Eu era gordinha e feia, cabelo de pirâmide que minha mãe insistia em fazer penteados horríveis, brega, muito brega. Fazia de mim e da minha irmã, amostras de árvores d e Natal, enchia de enfeites, besuntava de hidratante, talvez para amenizar a feiurinha que ela também enxergava. A hora do banho era um desespero:
- Meninaaaas! Venham tirar essa catinga de macaco sapecado do corpo de vocês.
E esfregava a esponja que ardia a pele.
Pronto! Estáva-mos limpinhas e prontinhas para não brincar e não se sujar.
Quando criança fracassei em algumas profissões. Eu sempre queria ser algum personagem de filme ou desenho. Tentei ser a power ranger rosa, a narizinho do sítio do pica pau amarelo, até 'Xena a Princesa Guerreira' eu tentei ser. Pulava da cama, da cadeira, sempre de lugares baixinhos pra saber se eu levava jeito pra coisa. Meu pai via as minhas performaces e só sabia dizer:
- Eu hein?!
O aprendizado mais doloroso que tive, foi a tabuada.Passei meio ano tentando aprender das formas tradicionais, mas só uma semana sem desenho e um dia no caroço de milho foi o suficiente para saber até de trás pra frente.
Quem vê assim até pensa que sou uma nordestina castigada. Sou nordestina, mas não castigada. Também fui muito feliz, é lógico!
Meu pai sempre deixava eu levar meus 4 ursos pra cima e pra baixo. Antes de sair eu já ia recolhendo todos. Em restaurantes e barzinhos eles tinham que sentar em cadeira, como a gente. Até que meus pais começaram a passar alguns vexames, como por exemplo, o barzinho lotado e algumas pessoas de pé porque os adoráveis ursinhos estavam ocupando algumas cadeiras. Segundo meu pai, meus ursinhos foram fazendo longas viagens de férias e até hoje desconheço o destino.
As travessuras, nada muito encapetadas, típico de criança mesmo, variavam entre cortar a franja do cabelo bem rente a cabeça, ficou uma coisa linda, enfiar o dedo na tomada para checar até onde as pessoas dizem a verdade, tocar campainha e sair correndo, se esconder dentro do guarda roupas, juntar um monte de documento e tocar fogo, fingir que está doente pra não ir pra aula, vestir a roupa da mãe, deitar na cama entre a mamãe e o papai, apostar corrida de bicicleta sem saber andar, passar trote pelo telefone e atendê-lo assim : - Funerária 'Você é próximo', bom dia! Aprontar e colocar a culpa na irmã, xingar o pai e a mãe bem baixinho, sair correndo ao ouvir o barulho do cinto, voltar só a noite pra casa pra fugir da 'pea'...
Todas travessuras que me levavam a pensar:
- Papai do céu agora é o meu fim!!!
E que hoje são dignas de lindas recordações e de muita saudade.


kkkkkkk o melhor de tudo isso pra mim e saber que eu participei de quase tudo isso ai..:) xero maninha
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